Jaime é como o capitão planeta. Jaiminho é uma reunião de atributos. Ele é irreverente, elegante, possui espírito livre e bom humor. Ele é o retrato de um bonde chamado “bonde de Vila Velha” que, ao contrário do que se pode imaginar, esse bonde nunca tomou bonde na vida, sempre tomou transcol.
Mais tarde, quando os laços já haviam se firmado e nada mais os poderia soltar, o bonde tomou um caminho menos árduo, mas não menos divertido. Foi em um automóvel preto, apelidado de “pretinho”, e mais tarde em um modesto carro verde, apelidado de “fusquinha”, que muitas boas estórias aconteceram.
Esse bonde é parte Natasha, parte Aline, parte Marlon e parte Marcela. Eles completam o bonde, mas não satisfazem o Jaiminho. Jaiminho é ganancioso e precisou de agregados para completar a sua história. Foi aí que um tal de Guilherme e um tal de Rômulo entraram na história sem saber para onde estavam sendo arrastados. Jaiminho, mil e uma utilidades, homem moderno, versátil e multifacetado, resolveu agregar algumas qualidades e ser um cara tímido que leva a vida numa boa.
Devo confessar. Estou apaixonada por Jaiminho. Entendo o quão inapropriado é se apaixonar por um eu lírico coletivo. Já imaginou a confusão que isso pode dar? Ciúme, confusão, e até morte. Mas o que posso fazer? I’m in Love, folks e não é pelo Mr.Dacy ou por qualquer outro personagem apaixonável da Jane Austen. É por um personagem que transpõe a barreira da criação, que tem vida própria, respira e sua com a gente e é do povo. Prova disso é sua profissão e seu gosto musical: carteiro e Wando, respectivamente. Essa parte do Jaiminho, o gosto pelo brega, não me cativa muito. Mas, aceito esse defeito como fator formador contribuinte do Jaiminho que conhecemos e amamos. Você pode tirar Jaime da breguice, mas não pode tirar a breguice de Jaime. E é por isso que ele é piegas, inevitavelmente piegas, um piegas colorido e bonito de se ver, como o “coração” do Capitão Planeta, como a maior parte do bonde e como a vida, quando olhada por maravilhosas lentes cor-de-rosa.